Domingo, Setembro 13, 2009

Mudança de poiso

O Pisco continua a voar em http://diasdopisco.blogspot.com/

Publicado por Fernando Nabais em 23:32:29 | Permalink | Sem Comentários »

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Chico-espertismo, um superpoder. Mais um editorial de João Marcelino.

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Citação

 

 

“Por acaso do calendário, o regresso às aulas, este ano, ocorre em plena campanha eleitoral para as eleições legislativas. Como sabemos, o tema “educação” é um dos eixos centrais das propostas apresentadas aos eleitores. Como também sabemos, foi nesta área que se registaram as maiores convulsões sociais dos últimos quatro anos e meio de governação. Os professores, que resistem a serem avaliados, têm-se mobilizado em manifestações de protesto. O alvo tem sido o PS, mas seria o PSD se fosse este o agente da reforma. O que não será aceitável é que, em plena reabertura do ano escolar, o tema seja utilizado como arma de arremesso político.

É um facto histórico que na génese dos partidos socialistas/trabalhistas ou sociais-democratas estão os sindicatos. Em Inglaterra, há mesmo uma quota, que é preenchida pelos representantes dos trabalhadores. Já em Portugal é conhecida a íntima ligação entre partidos e sindicatos - CGTP e PCP ou UGT e PS.

Para o próximo dia 19, estão convocadas várias acções de protesto organizadas pelos chamados “movimentos” independentes de professores. A Fenprof, liderada pelo dirigente comunista Mário Nogueira, já disse que prefere esperar pelo dia seguinte às eleições. Mas o sindicalista tem aparecido de forma regular ao lado de Jerónimo de Sousa defendendo as mesmas posições dos ditos professores independentes. Ou seja, votem em quem votarem, votem contra as maiorias absolutas.

Mandaria a ética democrática que, em período eleitoral, os sindicalistas se abstivessem da mobilização das massas, como forma de tentar condicionar o resultado das eleições.”

 

Aqui

 

 

Comentário

 

                O editorialista começa por afirmar que “o tema “educação” é um dos eixos centrais das propostas apresentadas aos eleitores.” e, depois de reconhecer a existência de “convulsões sociais”, acaba por admitir, implicitamente, que se tratou de um problema laboral, ao fazer alusão à resistência dos professores a serem avaliados.

                Antes de chegarmos à questão da “ética democrática”, não posso deixar de me deliciar com a manifestação de uma mentalidade muito portuguesa, o chico-espertismo, que consiste em saber exactamente o que pensam as pessoas independentemente do que afirmarem. Para o chico-esperto, as palavras alheias só servem para esconder intenções e nunca para as revelar. Assim, diante dos professores que se manifestaram repetidamente contra este sistema de avaliação, Marcelino, dotado dos superpoderes do chico-espertismo, grita: “Vocês não querem é ser avaliados!”

                Outra manifestação de chico-espertismo consiste em gritar “Assim não vale!” sempre que as regras de jogo possam impedir a nossa vitória. O chico-esperto, quando rapazola, era aquele que protestava contra a força dos chutos adversários (“Ei, não vale estouros!”), permitindo-se aquilo que queria impedir aos outros. Se, ainda por cima, fosse o dono da bola (que é a maioria absoluta dos pequeninos), já se sabe que o jogo acabava quando lhe apetecesse.

                Transformem a bola em educação e descobrirão que o a estratégia chico-espertista se prolonga: segundo Marcelino, a educação pode ser tema de campanha, desde que os professores se abstenham de emitir a sua opinião.

                O alvo das críticas passa, então, a ser uma das caras mais conhecidas da contestação docente, Mário Nogueira. Este, na opinião do editorialista, deveria abster-se de falar de questões laborais e políticas, por acumular as condenáveis condições de professor, sindicalista e comunista. Ficamos à espera que João Marcelino defina o momento do ano em que se possam emitir opiniões e, já agora, qual o grupo restrito de pessoas que o poderá fazer.

                Mário Nogueira tem cometido alguns erros, mas, justiça lhe seja feita, nunca aproveitou a sua condição de sindicalista para defender o voto no partido de que é militante. Por razões que se prendem com os problemas com que os professores foram confrontados, tem defendido o fim de uma maioria absoluta que foi absolutamente prejudicial para a Educação em Portugal, no que, aliás, coincide com muitos professores descontentes, alinhados ou não com sindicatos.

                Parece-me, na minha ingenuidade, que os professores, os sindicalistas, os comunistas os socialistas ou os adeptos dos “Passarinhos da Ribeira” são cidadãos como os outros: desejam todos “condicionar o resultado das eleições”. Para isso, e por enquanto, exprimem opiniões e chegam até a votar.

                E já me esquecia: é claro que os directores de jornais são também cidadãos como os outros.

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Quarta-feira, Maio 27, 2009

Caixa de ósculos

            Como beijo muito mal, passei a usar ósculos.

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Quarta-feira, Maio 13, 2009

Suuuuuperprofessor

         “Não é uma ambição ao alcance de todos”, avisa Armandina Soares, presidente do conselho executivo do Agrupamento de Escolas de Vialonga, em Vila Franca de Xira. Só para os que conseguirem ser professores, mediadores culturais, directores de turma, formadores, assistentes sociais, psicólogos, gestores e administradores. Tudo ao mesmo tempo e, mesmo assim, não chega. Há também que dominar as novas tecnologias, participar em colóquios, seminários e conferências em Portugal ou no estrangeiro para as probabilidades aumentarem. Doutoramentos, mestrados, cursos de formação e reciclagem e ainda muita experiência em escolas problemáticas são as condições finais para garantir a selecção.

            A presidente do conselho executivo de Vialonga admite implicitamente que as escolas problemáticas precisam de mediadores culturais, assistentes sociais, psicólogos, gestores e administradores. Seguindo esta linha de raciocínio, o que se deveria fazer? Contratar mediadores culturais, assistentes sociais, psicólogos, gestores e administradores. Se tenho um problema de canos, chamo um canalizador. Se tiver dor de dentes, vou a um dentista.
            
Isso mandaria a lógica, mas não o ordena Armandina, decerto sob o olhar enternecido da trindade ministerial. Para desempenhar todas estas funções, basta que se seja professor, ou melhor, superprofessor. Imagino, aliás, que, como qualquer super
-herói, este superprofessor passe a vida a mudar de roupa em cabinas telefónicas, transformando-se ora em funcionário administrativo, ora em psicólogo, num rodízio de funções que deixaria tonto um simples mortal, mas não o superprofessor.
            
É mais uma prova da superioridade da classe docente sobre todas as outras. Um assistente social só pode ser assistente social. Um psicólogo não pode ser mais que um psicólogo. Um professor pode ser tudo isso, mesmo que não tenha tempo para preparar aulas, actividade secundária numa classe docente moderna.
            Doravante, poderemos olhar interrogativos os céus e gritar: “Será um assistente social? Será um psicólogo? Será um mediador cultural? Não! É o superprofessor!” Fica, no entanto, uma pergunta por fazer: “Será um professor?”

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Sábado, Maio 9, 2009

Fanfe em Fafe - os caciques continuam a atacar

BE levou caso ao Parlamento

Destituição em escola de Fafe é uma história toda em tons de “rosa” 
09.05.2009
- 18h31 Graça Barbosa Ribeiro

O caso que o BE levou ontem ao Parlamento, com um pedido de esclarecimento à ministra da Educação, é invulgar. Não apenas por se tratar da demissão do coordenador de uma escola básica de Fafe, mas, também, porque todos os protagonistas detêm cargos de relevo no PS local.

A história parece linear. No dia 26 de Abril, depois de inaugurar em festa duas bibliotecas, o presidente da câmara, o socialista José Ribeiro, dá com a terceira quase vazia. Na escola de Quinchães estavam, contando com os elementos da sua própria comitiva, 13 pessoas. Enfureceu-se. “Logo ali, no discurso, avisei que ia querer explicações!”, disse ontem.

E elas chegaram: Lopes Martins, o presidente da junta eleito numa lista independente, informou que ninguém o incumbira de promover a inauguração. “Não temos nada a ver com isso. São coisas lá deles”, reforçou, quando contactado pelo PÚBLICO. O director da escola, Pedro Ribeiro, forneceu mais dados ao presidente da câmara.

Conta o autarca que Pedro Ribeiro - que foi presidente do conselho executivo antes de se tornar director - o informou de que abrira um inquérito, para averiguar o que se passara. Mas que, entretanto, dotado que está dos poderes conferidos pelo novo modelo de gestão, destituíra já o coordenador da escola do 1.º ciclo do ensino básico, que perdera a sua confiança por não ter feito os convites a pais, professores e alunos, como lhe fora pedido. A esta situação reagiu publicamente o autodenominado “representante dos pais”, Ivo Cunha, que denunciou o que considera “um linchamento político”.

Explicou ontem ao PÚBLICO Ivo Cunha (membro da comissão política concelhia do PS) que o presidente da câmara foi adversário, em eleições internas, do actual líder da Federação do PS de Braga, Joaquim Barreto. E que o coordenador da escola que foi destituído, António Barros, não só apoiou este último, que é presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto, como faz parte da distrital do PS. Já o director do agrupamento - que mandou dizer, face às insistentes tentativas de contacto, que “não presta declarações” - é deputado socialista da Assembleia Municipal de Fafe.

Para Ivo Cunha não há dúvidas: “Isto é vingança por o António Barros ter apoiado o Joaquim Barreto.” Mas o presidente da câmara garante que não: “Que enorme disparate!”, exclamou, assegurando que “se alguém se portou mal nesta história” foi o coordenador da escola, António Barros, que não fez os convites, acusa, “por ter confundido questões pessoais com assuntos institucionais”. E fez questão de explicar que o desentendimento entre ambos “é anterior às divergências partidárias”: “O Barros zangou-se, em 2005, porque não garanti emprego à filha dele, que fez estágio profissional na Câmara de Fafe e trabalha agora na autarquia de Cabeceiras de Basto”, cujo presidente é líder da distrital, disse. António Barros não quis prestar declarações.

Aqui

 

 

                Comentário:

 

Confrontado com a pouca assistência na inauguração de uma biblioteca escolar, o Presidente da Câmara, doravante designado por “senhor regedor”, avisa que irá pedir responsabilidades. Ou seja, na opinião do senhor, comparecer a uma inauguração a um Domingo era um dever que algumas pessoas se esqueceram de cumprir. Assim, o senhor regedor sente-se no direito de exprimir indignação e deixa a ameaça a pairar.

A não comparência de assistentes ao corta-fita merece, entretanto, abertura de inquérito. Mesmo que o inquérito fosse aberto pela Câmara seria ridículo. Mas não: o inquérito foi aberto pelo director do agrupamento de que fazia parte a escola cuja biblioteca foi inaugurada pelo senhor regedor. E faz-se jurisprudência: sempre que não houver convivas suficientes num evento camarário em ambiente escolar, o director da escola deverá abrir um inquérito. Dentro do mesmo espírito, defendo que um director passe a abrir inquéritos quando, por exemplo, houver professores que não ponham a bandeira nacional na janela, em dia de jogo da selecção, ou que não aplaudam suficientemente o discurso dos senhores regedores.

Entretanto, mesmo sem inquérito concluído, e porque dotado de poderes para destituições sumárias, o director do agrupamento destitui o coordenador da escola que não soube preparar a recepção ao senhor regedor. Segundo declarações do prestável director, o coordenador foi destituído por ter perdido “a sua confiança”. Mais um precedente no mundo das escolas: o director não precisa de se preocupar com a competência dos seus subordinados, bastando o critério da confiança. Outro precedente: uma das funções dos coordenadores será a de organização de eventos municipais.

O resto é o habitual e triste espectáculo da pequenez autárquica do País, com as lutas de cadeiras, cadeirinhas e bancos. O texto termina em beleza, com o senhor regedor a tornar pública uma conversa que poderá ou não ter ocorrido, mas que, de qualquer maneira, não explica por que razão um coordenador deva ser destituído ou elogiado. No escaldante mundo da vida municipal portuguesa, é com isto que esta gente se entretém. Já se sabe, há muito, que o caciquismo sufoca a vida de muitos municípios. A municipalização e o novo modelo de gestão colocarão a escola à mercê de todos os pequenos regedores com tiques de Jardim.

Publicado por Fernando Nabais em 22:48:15 | Permalink | Sem Comentários »

Segunda-feira, Maio 4, 2009

Desculpem lá!

       Vital espera desculpas

Vital Moreira, cabeça de lista do PS nas eleições europeias, declarou que continuará à espera de desculpas pela agressão de que foi alvo no Dia do Trabalhador. O candidato socialista, no entanto, confidenciou a fontes absolutamente credíveis o seu desencanto por não ter sido esmurrado para além de insultado, uma vez que isso poderá diminuir a sua “marinha grande”. O próprio Mário Soares terá gracejado em círculos próximos, afirmando que a situação vivida por Vital poderá ser «uma “marinha assim-assim”, mas nunca uma “marinha grande”».

         Entretanto, os dias do pisco soube que Vital Moreira continuará a explorar a ocorrência. Os serviços da campanha já descobriram que, entre os agressores, havia três sócios do Benfica, um membro dos Bombeiros Voluntários da Trafaria, um adepto do montanhismo e um pai de um bebé de dois meses, pelo que espera desculpas de todas estas entidades, ficando a aguardar que a criança aprenda a falar e que as primeiras palavras sejam “Peço desculpa, senhor doutor Vital, em nome do meu papá.”

         Quique Flores já declarou que não percebe como foi possível que os sócios do clube não acertassem com uma garrafa de água num alvo tão fácil, garantindo trabalho extra no âmbito da finalização, para que não voltem a falhar oportunidades tão evidentes.

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Quinta-feira, Abril 30, 2009

Uma mulher com muitos nomes


       

      Visita guiada ao cancioneiro de Afonso Sanches

     

        Para ver os textos existentes sobre este assunto: Afonso Sanches

Conhocedes a donzela 

por que trobei, que avia 
nome Dona Biringela? 
Vedes camanha perfia 
e cousa tan desguisada: 
des que ora foi casada, 
chaman-lhe Dona Charia. 

 

D' al and' ora mais nojado, 
se Deus me de mal defenda: 
estand' ora segurado 
un, que maa morte prenda 
e o Demo cedo tome, 
quis-la chamar per seu nome 
e chamou-lhe Dona Ousenda. 

 

Pero se ten por fremosa 
mais que s' ela, por Deus, pode, 
pola Virgen gloriosa, 
un ome que ....-ode 
e cedo seja na forca, 
estando, cerrou-lh’ a boca, 
chamou-lhe Dona Gondrode. 

 

E par Deus, o poderoso, 
que fez esta senhor minha, 
d' al and' ora mais nojoso: 
do demo dũa meninha, 
………………………..-ora, 
u lhe quis chamar senhora, 
chamou-lhe Dona Gontinha.

 

 

Mais uma vez, nesta viagem pela obra de Afonso Sanches, o sujeito poético dirige-se a um público cúmplice: nos três primeiros versos, pergunta aos ouvintes se conhecem uma donzela chamada “Biringela” e a quem teria dedicado uns versos. Logo a seguir, revolta-se, afirmando que, depois de a referida senhora ter casado, passaram a chamar-lhe “dona Charia”.

         Uma breve passagem pelas restantes estrofes leva-nos a descobrir, facilmente, um paralelismo semântico: sempre indignado, o poeta descobre que a senhora era conhecida por nomes diferentes, conforme era abordada por diferentes homens, sendo que cada um desses nomes aparece sempre no final de cada uma das estrofes.

         Há, no entanto, que vincar uma diferença: na primeira estrofe, o verbo “chamar” está na terceira pessoa do plural, ao passo que, nas restantes, surge no singular. Há, ainda, a notar uma outra diferença: a palavra presente no final da primeira estrofe não é exactamente um antropónimo. Efectivamente, “Charia” seria um termo derivado da palavra árabe que designava as concubinas brancas compradas pelos árabes andaluzes. A aceitarmos essa hipótese, poderíamos estar perante um insulto que poderia atingir não só a mulher em causa, mas também o marido, reduzido afinal à condição de mouro.

         Todos os outros nomes são antropónimos femininos documentados na Idade Média. Que poderemos, então, conjecturar com base nesta flutuação onomástica? Será que esta senhora teria oferecido favores a vários homens, confessando diferentes nomes a cada um deles? A ser assim, estaríamos na presença de uma verdadeira mulher-demónio, uma autêntica manipuladora de pobres homens, entre os quais o triste sujeito poético, que descobre que não tinha sido o único no coração desta mulher desalmada. As nossas leitoras podem escandalizar-se, chamando a atenção para os milhares de anos de comportamentos masculinos similares. No entanto, não podemos esquecer-nos de que este texto foi escrito por um homem da Idade Média, numa época em que ainda não tinha sido inventada a palavra “feminismo”.

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Terça-feira, Abril 28, 2009

Comer a fruta e colhê-la depois

                                                                    

Acções comparáveis a esta iniciativa governamental, em diferentes contextos:

 

  • Velho Oeste: disparar primeiro e perguntar depois.
  • Caça: vender a pele do urso antes de o caçar.
  • Festa: deitar os foguetes antes da dita.
  • Leitura: resumir o livro antes de o ler.
  • Condução: travar depois de bater.
  • Restauração: amanhar o peixe depois de o cozinhar.
  • Futebol: o guarda
    -redes lançar-se dois minutos depois de a bola ter entrado.
  • Criminalidade: deter o cidadão no dia anterior à prática do crime.
  • Sexo: colocar o preservativo após a relação.
  • _____________________________________________________
  • _____________________________________________________

 

(Neste pequeno estudo, tinha a intenção de incluir uma referência à Educação, partindo do princípio absurdo de que seria possível receber diplomas antes de aprender. A realidade vem demonstrando que isso é altamente improvável, uma vez que já é possível receber diplomas em vez de aprender.)

Publicado por Fernando Nabais em 00:25:24 | Permalink | Sem Comentários »

Segunda-feira, Abril 27, 2009

Detenções altas

Polícias têm de prender para cumprir números

                     

          É oficial: uma das profissões de futuro vai ser a de detido, de modo a ajudar a contribuir para as estatísticas. O Ministério da Educação, aliás, deverá proceder à criação de Cursos Profissionais de Detidos e Apanhados
em Flagrante Delito. O aluno ficará certificado para poder ser um detido exemplar, proporcionando, deste modo, ao Ministério da Administração Interna a garantia de que as estatísticas de detenções alcançarão patamares de dignidade, ao nível dos maiores parceiros europeus.

         O Governo deverá, a breve prazo, encetar negociações com a Associação Nacional de Detidos e Criminosos de Pequenos Delitos para que seja publicado o Estatuto da classe. Naturalmente, estes profissionais ficarão integrados na Função Pública, tendo em conta a má opinião que a maioria dos cidadãos tem acerca deles. Prevê-se que um dos grandes problemas das negociações surgirá quando se discutir a avaliação de desempenho dos detidos, havendo uma proposta do governo para os dividir em duas categorias, com base nas detenções de que tenham sido alvo nos últimos sete anos. Alguns destes profissionais já protestaram, tendo em conta que há regiões do País onde é muito mais difícil ser detido, devido ao encerramento das esquadras de polícia, para além da diminuição de efectivos policiais nas regiões do interior.

         Um praticante desta actividade confidenciou, sob anonimato, a dias do pisco que “As pessoas não fazem ideia do trabalho que dá ser um detido profissional. É preciso preparar a detenção, de modo a que pareça que o polícia está a ter dificuldades. O senhor polícia, uma vez ou outra, lá fará de conta que nos dá umas porradas, mas tudo com profissionalismo, combinado, assim como o wrestling, mas com fatos menos coloridos, o que é pena!”

Publicado por Fernando Nabais em 11:40:48 | Permalink | Comentários (1) »

Sábado, Abril 25, 2009

Abril Maia

Publicado por Fernando Nabais em 15:12:37 | Permalink | Sem Comentários »